Quem terá a primeira vacina confiável contra a Covid-19?

A busca por uma vacina contra o novo coronavírus está acelerada. Desenvolver uma vacina normalmente exige anos de pesquisas, mas cientistas acreditam que a imunização contra o vírus causador da Covid-19 pode chegar em um prazo menor do que o esperado.

Rússia, China, EUA, Reino Unido... Quem terá a primeira vacina confiável contra a Covid-19? Veja a situação das vacinas em desenvolvimento no Monitor de Vacinas contra o coronavírus

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Fonte: Organização Mundial da Saúde. Publicado em: 06/08/2020.

Texto e apuração: equipe Sempre Família.
Design: Osvalter Urbinati e Guilherme Storck.
Desenvolvimento: Gabriela Dal Toé e Gabriel Rosas.

 

 

 

Quando teremos uma vacina no Brasil?

A vacina testada pelo Instituto Butantan, produzida pela Sinovac Biotech, chamada de CoronaVac, começou os testes da fase 3 (que avalia eficácia) no fim de julho no Brasil. Se tudo correr de acordo com o esperado, deverá ser distribuída em 2021, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), de maneira gratuita. A vacina russa, Sputnik V, produzida pelo Instituto Gamaleya de Moscou, poderá ser testada e produzida pelo Brasil, caso os dados das fases 1 e 2, e o protocolo de estudos clínicos, sejam aprovados pela Anvisa. A disponibilidade dessa vacina dependerá dos resultados da fase 3. Está sendo testada também no Brasil a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford, em parceria com a farmacêutica AstraZeneca. De acordo com o governo federal, estima-se que 100 milhões de doses dessa vacina sejam distribuídas divididas em blocos: 15 milhões em dezembro de 2020; 15 milhões em janeiro de 2021 e outras 70 milhões a partir de março. Essa distribuição dependerá, no entanto, dos resultados da fase 3, que teve início no fim de junho.

O Brasil poderá produzir a vacina da Covid-19?

Diversas instituições do país estão desenvolvendo imunizantes contra a Covid-19, mas ainda estão em fases iniciais, sem nenhum teste em seres humanos ainda. Entre as instituições, estão a Fiocruz, Instituto Butantan, USP e UFPR, entre outras. Até o momento, o Brasil fechou parceria com três farmacêuticas para a transferência de tecnologia, o que tornaria o país autossuficiente na fabricação de imunizantes que se mostrem eficazes e seguros contra a Covid-19.

Quais parcerias o Brasil firmou para a vacina do novo coronavírus?

A vacina da Universidade de Oxford, produzida pelo laboratório AstraZeneca, está realizando a fase 3 com voluntários brasileiros. Caso ela seja eficaz, o Brasil poderá produzir 100 milhões de doses desse imunizante. A Sinovac Biotech é outra farmacêutica que fechou parceria com o país. As vacinas, caso se mostrem eficazes, serão produzidas pelo Instituto Butantan, em São Paulo. Além disso, o Paraná está em vias de fechar um acordo com o governo russo para que os testes de fase 3 do imunizante Sputnik V, produzido pelo Instituto Gamaleya de Moscou, sejam realizados com voluntários do estado. E a Sinopharm, outra farmacêutica a fechar acordo com o Paraná, possivelmente terá a vacina testada em profissionais de saúde do estado.

É verdade que a vacina BCG (tuberculose) produz anticorpos contra coronavírus?

A vacina da BCG, usada para a imunização contra a tuberculose, não produz anticorpos contra o novo coronavírus. Houve essa especulação a partir de um estudo, desenvolvido por pesquisadores do Departamento de Ciências Biomédicas do Instituto de Tecnologia de Nova York, nos Estados Unidos, que compararam países com histórico de vacinação em massa da BCG versus países sem esse histórico. Nos resultados, viram que os países com maior número de pessoas imunizadas teriam menor mortalidade e morbidade para a Covid-19. Os dados, no entanto, são preliminares e a própria OMS alerta para erros de metodologia do estudo, e não recomenda o uso dessa vacina como preventiva à Covid-19.
No Brasil, a Universidade Federal de Minas Gerais estuda o desenvolvimento de um imunizante baseado vacina da BCG. Na vacina tradicional, a bactéria causadora da tuberculose é atenuada e, assim, consegue “treinar” o sistema imunológico para combatê-la quando entrar em contato com a bactéria real. A ideia dos pesquisadores é fazer com que a bactéria produza proteínas do Sars-Cov-2, de forma que o sistema imunológico também seja treinado para o combate da Covid-19. A vacina ainda está em desenvolvimento e testes em humanos possivelmente serão feitos apenas em 2021.

A vacina russa é eficiente? O que se sabe sobre ela?

Até o início de agosto, poucas informações foram divulgadas pelo governo russo e pelo Instituto Gamaleya, de Moscou, a respeito da vacina Sputnik V. Segundo informações oficiais do governo da Rússia, a vacina passou pelos testes 1 e 2, mas detalhes sobre essas etapas não foram publicadas, até o momento, em revistas científicas ou divulgadas à comunidade científica. Com isso, especialistas e autoridades mundiais de saúde são cautelosos em afirmar uma eficácia ou mesmo segurança desse imunizante. A OMS, por exemplo, afirmou que não recebeu, por enquanto, informações sobre a vacina russa e que nenhum artigo científico descrevendo a produção e os resultados foram publicados. Apesar de o presidente russo, Vladimir Putin, afirmar que a vacina não tem efeitos colaterais, o governo informou que não realizou os testes da fase final, em que centenas de pessoas, com diferentes características físicas, são inoculadas. A previsão da Rússia é que essa fase seja concluída até outubro deste ano. O Paraná assinou um memorando de entendimento com o governo russo, no início de agosto, para o desenvolvimento de um protocolo de estudo clínico que, caso aprovado pela Anvisa, poderá incluir voluntários brasileiros.

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